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Visões de Guerra: Lasar Segall = Visions of War: Lasar Segall - edição bilíngue português/inglês

R$40,00

Categoria(s)

Detalhes

O livro contém a série completa do caderno Visões de Guerra, com desenhos que reportam a dois dos eventos tenebrosos da história da humanidade: a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais. Por meio deles o artista faz duras críticas incomplacência da guerra, retratando, sobretudo, o sofrimento e a debilidade humana diante do horror. Tendo acompanhado de perto a Primeira Guerra Mundial, Lasar Segall (1891-1957) serviu-se de memórias e relatos de familiares e do noticiário para compor, com o uso da aquarela, do guache e de tinta a pena e pincel os impressionantes cenários dos campos de concentração, com arames farpados, nos quais milhares de pessoas foram massacradas. São obras que evidenciam o combate corpo a corpo, a luta de trincheiras, sob a perspectiva e testemunho dos que sobreviveram à guerra. Além das imagens, compõem o livro os textos da pesquisadora Berta Waldman, do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) Celso Lafer, e Jorge Coli, professor de História da Arte e da Cultura, da Unicamp.

Informação Adicional

Código 12.0.813.934
Largura (em cm) 28.0000
Comprimento (em cm) 23.5000
Número de Páginas 160
Peso Bruto (em kg) 0.5000
Formato da Capa Capa flexível
Ano de publicação 2012
Editora ISBN ISSN
IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO DE SAO P 9788540100497 -
MUSEU LASAR SEGALL 9788562930096 -
CENTRO DA CULTURA JUDAICA 9788563681027 -
saiu na mídia FOLHA DO ESTADO DE SÃO PAULO DE 13/05/12 - CADERNO ILUSTRÍSSIMA Lasar Segall (1891-1957) concebe uma série de 75 desenhos provocados pela Segunda Guerra Mundial. Diante da barbárie nazista, o artista reage. Aqui, a melhor chave é a proposta por Gilda de Mello e Souza, quando se refere à arte de Segall como "apolínea". Por sua formação, o artista brota do clima expressionista alemão --do mesmo modo que Otto Dix (1891-1969). Mas conservou, como característica própria, o sentido da composição clara, organizada, em que a simplificação das formas lhes confere um formidável poder impositivo. Usando a palavra com cautela, não é impróprio mencionar um espírito clássico a seu respeito. Esse classicismo aqui evocado, além dos princípios de clareza, equilíbrio e construção, acresce-se de outro. Segall possui uma característica fundamental própria à tradição das artes greco-itálicas: o corpo é o essencial, e o essencial é o corpo. A paisagem, quando existe, é acessória. O artista explora a luminosidade da página branca, traçando sobre elas sinais que designam o sofrimento de mulheres e homens. Vejamos a primeira folha, que contém as duas datas. Os algarismos, à direita, são grandes, bem desenhados (foram inicialmente traçados a lápis), num tom de vermelho nada vivo, nada sanguíneo. É antes terracota, o que põe esses números em sintonia com o fundo da figura lateral, uma parede avermelhada em forma de trapézio, à esquerda. Sobre ela, uma figura feminina suspensa, com os braços amarrados no alto, os seios expostos, a expressão dolorosa. VIOLÊNCIA Parece-me que a violência tremenda criada por Segall nem é descritiva, como a de Jacques Callot (Segall nunca foi um criador de espírito realista), nem possui a genial teatralidade como a de Goya (1746-1828), nem inventa um mundo fantasmagórico, como o de Dix. É fruto de uma exasperação contraditória. As poderosas forças construtoras do artista, a organização arquitetural das composições acirram-se em contraste com as tensões criadas pela evidência maior de cada efeito. O artista não trabalha por impulso sem controle. Graças às intenções perfeitamente dominadas, os cabelos em desordem, a face dolorosa, os seios caídos da mulher torturada dessa primeira imagem impõem-se com evidência. Surgem com força significante infinitamente maior do que se dissolvidos num conjunto criado por pulsões numerosas e sem cálculo. Segall concentra, economiza, constrói: com isso, cria uma relação direta, única, singular, com o que representa, e ao mesmo tempo dilata sua concepção, tornando-a universal. É formidável como sua intuição criadora tira partido desses princípios. Na prancha seguinte, uma mulher estira o pescoço, e a boca aberta é um esgar de apelo doloroso. Por trás, uma estrutura equilibra o conjunto. Tudo é claro e construído. Então, o efeito patético, doloroso, adquire uma crispação inquieta graças às vibrações que acompanham os contornos: a tinta parece impregnar-se no papel, fugindo do percurso incisivo, como borrões que puderam adquirir certa autonomia. BORRÕES Esses borrões, por causa da monumentalidade nítida da imagem, não se mostram como um acidente irrelevante. Ao contrário, afirmam sua presença, evocam estranhas infiltrações, em que ecoa a memória de arames farpados. O pequeno detalhe torna-se essencial. Desse modo, Segall evita fascinar o espectador pelo horror e impõe uma crueldade fria. Na série, duas imagens podem ser muito próximas uma da outra, como se se tratassem de estudos sucessivos: a multidão que se afunila entre duas paredes oblíquas e se engolfa numa passagem sombria. Concepção organizada, precisa, e tremenda. Apesar da semelhança dos dois desenhos, eles sugerem sentimentos com nuances diversas. Em um, essa multidão avança com lentidão inexorável; no outro, uma agitação inquieta perpassa pelos personagens. O grupo doloroso é desenhado de maneira simplificada: não se trata de identificar indivíduos. Mas Segall cria singularidades que se repetem de uma representação para outra: um braço se levanta, e a mão se torna um sinal; um personagem central se inclina para um companheiro. Basta isso, e o desenho tão simples impõe a humanidade sofredora ao olhar. Com o conhecimento da história, tal visão adquire um sentido ainda mais terrível: é impossível não pensar nos prisioneiros sendo levados para as câmaras de gás. Essa concepção parece prenunciar certos percursos asfixiantes que Daniel Libeskind imaginou para o Museu Judaico de Berlim, destinados a evocar sentimentos semelhantes. PRINCÍPIOS Todos os desenhos da série afirmam esses mesmos princípios. Alguns se aproximam dos personagens para isolar um rosto que, assim, fica enorme; outros criam estranhas paisagens sumárias em que os terrenos são rasgados, abrindo-se para fossas de cadáveres (estranhas fossas, de forma alongada, evocando uma vulva, em que os corpos se amontoam; estranha concepção orgânica que superpõe, em clave onírica, morte e fecundação); maternidades sofredoras (uma delas, em gesto emblemático, levanta o punho para o céu, um gesto que poderia ser melodramático pela sua banalidade retórica, mas que nos comove pela força concentrada); dois rostos femininos em que a multidão desordenada reflete-se nas pupilas dos olhos arregalados; figuras de judeus em desespero; misteriosa "pietà", em que o personagem se debruça sobre um volume horizontal, composição de um rigor implacável; amontoados humanos, sobre os quais linhas traçam tramas que parecem aprisioná-los. Segall universalizou as assustadoras consequências das piores loucuras humanas, graças à febre, às convulsões e às inquietações dessas folhas acusadoras, graças ao conflito entre rigor da forma e dolorosa energia.