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Imprensa Confiscada Pelo Deops, A - 2° lugar na Categoria Ciências Humanas - 46º Prêmio Jabuti

R$88,00

esgotado

Categoria(s)

Detalhes

Numa folha de papel almaço, feita com lápis, “A Cana”, jornalzinho feito no Presídio Paraíso, em São Paulo, ousou fazer circular entre os detentos sua primeira e última edição, de um exemplar, reivindicando melhor tratamento (na verdade não deu tempo nem para isso). O jornalzinho foi apreendido pelos agentes penitenciários sob a alegação de que, sendo “escrito e editado” por notório anarquista acabaria por abalar os muros da prisão e os alicerces do sistema prisional brasileiro. Logrou minha atenção o jornalzinho, seu espírito, seu objetivo e a contra-partida da autoridade, ridícula em sua força, sempre chamada a atentar contra a liberdade de imprensa. Porque, nesse jornalzinho escrito à mão e no episódio constrangedor, afloram para o estudo não só os meios e as mensagens dos que lutam por aquilo que acreditam ser melhor para o seu irmão como, também, os meios e as mensagens (melhor diria, a truculência e as diatribes) dos que sempre se oporão à dignidade e à justiça - seja qual for a cor ou a utopia que adotem. Na “batalha” contra “A Cana” – que o leitor está cansado de saber que se trata do jargão para prisão – está em miniatura, como num arquétipo, a maioria das linhas de pensamento e ação que engendram os atos desafiadores dos que lutam e o tacão esmagador dos que destroem. Esse livro, A IMPRENSA CONFISCADA PELO DEOPS , se abre para o leitor com a força dos ensaios precisos e cultos ao abordar a complexidade das questões sócio-politicas, históricas, num tempo que marca e ao mesmo tempo é marcado pela oposição sistemática, ferrenha, do culto à autoridade, à prepotência, e o direito universal à livre manifestação do pensamento. O foco na iconografia, além de ser garantia de fidelidade aos fatos recupera, por assim dizer, uma linguagem que, hoje mais que nunca, é totalizante. Vivemos o ciclo impiedoso e banalizante do valor da imagem – banal, mas vital para o nosso tempo e nossas globalizações. A obra, dessa forma, mas não só por isso, ganha uma contemporaneidade inegável. A experiência do século mostrou, de maneira tristemente vigorosa, que se deve sempre defender a liberdade de expressão, pois a democracia não é garantia suficiente de que o homem poderá assumir o comando do seu destino. Se, nas ditaduras, isso se faz rangendo os dentes da indignação na boca, embora fechada, ou sumindo de circulação para fazer circular a resistência, na democracia é urgente que se hasteie todo dia essa bandeira – já que, mesmo nos regimes mais “abertos”, “liberais”, “democráticos”, paira sempre, sobre a dignidade do caráter e da manifestação do pensamento, a ameaça de grupelhos, de marginais da realidade política e social. Depois daquela abertura literária sobre o conhecimento da matéria, vem o show iconográfico com cada página mostrando a reprodução perfeita da imagem recolhida, especialmente, edições “condenadas” pela prepotência. E, então, o leitor mergulha num mundo de fábula, maravilhoso em sua plasticidade evocativa e sincero como um soco no estômago. Não se pode ser um cidadão completo sem conhecer o que se passou com a livre manifestação do pensamento entre 1924 e 1954.

Não se pode deixar de ter e ler essa magnífica obra.

Informação Adicional

Código 12.0.812.826
Largura (em cm) 23,5
Comprimento (em cm) 28,0
Altura (em cm) 2
Número de Páginas 296
Peso Bruto (em kg) 1,168
Formato da Capa Capa flexível
Ano de publicação 2003
Tipologia Não
Papel Capa Não
Papel Miolo Não
Editora ISBN ISSN
ARQUIVO PÚBLICO DO ESTADO DE SAO PAULO 8586726540 -
IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO S/A 8570602197 -
ATELIÊ EDITORIAL. 8574801526 -